E faz pouco tempo que descobri isso. Agora
sinto que finalmente passou toda aquela fase ruim onde não conseguimos olhar
pra nós mesmos no espelho. Eu me sinto melhor. Até que aceitemos que um
novo começo só nasce depois de um fim, vivemos um momento de recomposição das
energias e de recuperação dos motivos para dar risada. Ainda bem que consegui
me ajudar.
Fico feliz em olhar pra mim e ver como ultimamente
tenho gostado do que vejo.
Eu sempre me diminuí diante da minha saudade,
sempre cedi aos estalar dos dedos e sempre ignorei tudo para ter pouco, só que
hoje sinto que as coisas mudaram. Hoje eu tenho preferido pensar na parte boa
da vida. Já dediquei tempo o bastante para as partes ruins e os dias
tristes; hoje eu quero começar de novo. E o mais legal: eu sei
exatamente como eu quero viver e as coisas que quero aproveitar.
É por isso que me sinto bem para fazer bem. O
tempo me ensinou a respirar e entender que enquanto eu não estiver bem comigo,
eu jamais vou conseguir fazer bem pra outra pessoa. Este é um clichê no qual
todo mundo pode confiar. E eu bem que tentei fazer o contrário. Até saí algumas
vezes com pessoas bacanas, mas eu não conseguia aproveitar a noite, eu mal
conseguia olhar nos olhos e só imaginava como a minha cama estava quentinha
numa hora daquelas. Vivia com uma parte de mim
querendo superar e outra entendendo que existe a hora certa para superar.
Eu aprendi a respeitar a vida e a velocidade com
que ela acontece. É claro que, se eu pudesse escolher, hoje estaria
comemorando mais um dia junto de um alguém especial, porém eu entendi que para
que eu pudesse reconstruir minha vida eu precisaria deixá-la ruir.
Isso tudo aqui é soma de coisas óbvias que a gente esquece-se
de colocar em prática – inclusive eu, claro. E assim é a vida, né? Sabemos
como ela funciona, sabemos que não é fácil e o quanto a dificultou; sabemos que
muitas das coisas dependem da gente, porém, ah os poréns, porém a gente insiste
em querer ter resposta para as filosofias da vida que nós mesmos criamos. Eu
sou do tipo que adora falar por horas do que vivo. Eu gosto de ouvir opiniões
para fortalecer a minha. “E aí ela fez isso e aquilo”,
“olha só, deixa te contar como foi”. E não vejo nada de errado
nisso, errado sou eu querer ter resposta pra tudo e me frustrar quando não
encontro; o que acontece em 99% das vezes.
A vida é óbvia. O amor é óbvio. Nós vamos amar, vamos parar de amar. Nós
vamos amar, vamos amar sozinhos, vamos sofrer, vamos querer morrer e aí
voltaremos a amar. O ciclo é óbvio. Mas essa visão é o tipo de coisa que só o
tempo mostra pra gente.
É por isso que estou na fase de me
sentir bem para fazer bem. E faz pouco tempo que descobri isso. Tudo
começou quando aceitei que tudo terminou. Fico feliz em olhar pra mim e
ver alguém pronto pra fazer bem a outro alguém.
Escrito por Márcio
Rodrigues – Via Entenda
Os Homens
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