Depois dos 40 anos, o pensamento feminino muda,
desembaraça. O sexo não é mais performance, exaustão, é fazer o que
se gosta e do jeito que gosta. É aproveitar dez minutos com a intensidade de
uma noite inteira, é reconhecer o rosto do próprio desejo no primeiro suspiro,
é optar pela submissão por puro prazer, sem entrar na neurose da disputa ou do
controle.
A mulher de 40 não diminui o ritmo da intimidade. Pode
ler um livro com a intensidade de uma transa. Pode assistir um filme com a
intensidade de uma transa. Pode conversar com a intensidade de uma transa. Ela não tem um momento para a sensualidade, a sensualidade é
todo momento.
Tomar o café da manhã não é
apenas um desjejum, tem a sua identidade, o seu ritual, um refinamento da
história de seus sabores. Tomar o café da manhã com uma mulher de 40 anos é participar
de sua memória, de suas escolhas.
Ela não precisa mais provar
nada. Já sofreu separações, e tem consciência de que suporta o sofrimento. Já
superou dissidências familiares, e tem consciência de que a oposição é
provisória. Já recebeu fora, deu fora, entende que o amor é pontualidade e que
não deve decidir pelo outro ou amar pelos dois.
Ser tia
ou mãe, ser solteira ou casada não cria angústia. Os papéis sociais foram
queimados com os rascunhos.
A mulher
de 40 é a felicidade de não ter sido. É a felicidade daquilo que deixou para
trás, daquilo que negou, daquilo que viu que era dispensável, daquilo que
percebeu que não trazia esperança.
Seu
charme vai decorrer mais da sensibilidade do que de suas roupas. O que ilumina
sua pele é o amor a si, sua educação, sua expressividade ao falar.
A beleza
está acrescida de caráter. Do destemor que enfrenta os problemas, da facilidade
que sai da crise.
A beleza
é vaidosa da linguagem, do bom humor. A beleza é vaidosa da inteligência, da
gentileza.

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