A
inveja é uma emoção social dolorosa em relação a algo que é produto de uma
relação de desigualdade. Como já mencionamos, ela está relacionada às
comparações sociais e à avaliação do nosso eu. Por isso, às vezes podemos nos
referir à inveja como um termômetro social que nos permite medir nosso status
social e tomar medidas caso estivermos em uma posição da qual não gostamos.
Mesmo
que em alguma situação a inveja seja expressa abertamente como um sinal de
admiração (“Que inveja!”), o mais comum é esse sentimento ser ocultado. Nesse
sentido, ocultar a inveja faz parte do nosso protocolo social. Esse fato
desempenha duas funções: de um lado, evita que o invejoso torne sua carência
pública, protegendo-se assim de uma possível desvalorização do eu; e de outro
lado, para evitar que a pessoa invejada se sinta ameaçada.
O
objeto da inveja pode estar representado em uma grande variedade de elementos.
Pode envolver posses, mas também características pessoais ou reconhecimentos.
Independentemente do que for, vai adquirir a característica de objeto da inveja
quando for desejado por uma pessoa que não o possui e o identifica em outra. O
desejo pode surgir, em grande parte, pela tentativa de restaurar uma posição de
inferioridade ou desvantagem. Ou seja, não pelo que o objeto é, mas pelo que o
objeto representa.
No
entanto, como podemos reagir quando o sentimento da inveja surge em nós? É aqui
que entram os dois tipos de respostas invejosas e suas consequências, das quais
falamos a seguir.
Tipos de
inveja
Podemos
dizer que existem duas grandes vertentes na hora de definir o que caracteriza a
inveja: podemos falar de uma benigna e uma maligna (também conhecida como
schadenfreude). A inveja benigna surge quando o invejoso sente mal-estar pelo
bem-estar ou pelo sucesso do outro, mas não deseja coisas negativas ao outro. O
comportamento decorrente desse tipo de inveja será tentar melhorar sua posição
social. Ele vai conseguir fazer isso através da aquisição do objeto da inveja
sem tomar medidas contra o invejoso.
Na
maligna, pelo contrário, além do mal-estar pelo sucesso, existem desejos ruins
em relação ao invejado. Portanto, já não vamos ver comportamentos de melhora:
vão ocorrer tentativas de depreciar o valor do objeto da inveja, ou, até mesmo,
tentativas de diminuir o status do invejado, tirando dele o objeto.
Ambos
os tipos de inveja buscam o mesmo, o invejoso quer ter um status igual ou
superior ao do invejado. Na maligna, o objetivo é conquistar diminuindo o
status do invejado e, na benigna, aumentando o status do invejoso. Embora a
primeira tenha uma natureza pró-social, não se pode esquecer de que o
schadenfreude também é uma emoção muito presente nas nossas vidas.
Uma
pergunta para refletir: quando invejamos outra pessoa, o que predomina em nós,
uma inveja benigna ou schadenfreude?
Por: A grande arte de ser feliz

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